Diretiva de Transparência Salarial da UE: Tudo o que os portugueses têm de saber

A Diretiva de Transparência Salarial da UE já está em vigor, tendo os Estados-Membros de adotá-la nos seus respetivos países até dia 7 de junho de 2026. No entanto, em Portugal, o processo de transposição desta lei ainda está em curso, ou seja, este prazo não se aplica. Mesmo assim, é importante que as empresas portuguesas já se vão preparando.
O objetivo desta diretiva é reduzir a disparidade salarial e promover a igualdade salarial para um trabalho de igual valor. Esta diretiva introduz novos obrigações para os empregadores, incluindo a divulgação antecipada do intervalo remuneratório, a proibição de perguntar sobre o histórico da remuneração e uma maior transparência em matéria de remuneração e progressão na carreira.
Como a lei ainda não está em vigor em Portugal, os empregadores portugueses têm uma oportunidade para avaliarem as suas práticas de contração e remuneração e colmatar quaisquer lacunas antecipadamente.
Neste artigo, vai ficar a saber como é que a transparência salarial se aplica na prática e como é que as empresas portuguesas devem adaptar os seus processos de recrutamento.
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A Diretiva de Transparência Salarial da UE é um novo regulamento destinado a garantir a igualdade de remuneração por trabalho igual, aumentando a transparência em torno dos salários e das decisões salariais.
Em termos práticos, exige que os empregadores:
Esta diretiva faz parte de um esforço maior para reduzir a disparidade salarial entre homens e mulheres e garantir uma maior consistência de como os salários são definidos e divulgados.
O conceito de Transparência Salarial significa ser claro sobre como os salários são definidos e divulgados dentro da sua empresa.
A transparência contribui para uma remuneração mais justa no mundo do trabalho. Atualmente, isto faz todo o sentido porque ainda existe desigualdade salarial nos vários países da UE. A disparidade salarial é de cerca de 13%, com as mulheres a ganharem menos do que os homens por trabalho de valor igual. Na última década, o progresso foi lento, é por isso necessário haver uma maior transparência e responsabilização.
Além disso, as expectativas em relação à transparência salarial estão a mudar, e os candidatos esperam, cada vez mais, receber informações claras sobre a remuneração quando se candidatam a vagas. Assim, esta diretiva procura ser benéfica para todos.
Trabalho igual merece salário igual. E, para garantir a igualdade salarial, é essencial haver transparência. As mulheres devem saber se estão a ser tratadas de forma justa pelos seus empregadores. E, quando isso não acontece, precisam de ter o poder de reagir e reivindicar o que merecem.
- Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia.
Quase todas as empresas privadas e públicas dentro da UE vão ter de cumprir a Diretiva de Transparência Salarial. Mas afinal, o que é que esta medida significa na prática?
Resumidamente, os empregadores vão ter de ser mais transparentes sobre os seus salários. Isto inclui partilhar o valor do salário com os candidatos antes de os contratarem e garantir a todos os trabalhadores, incluindo os que vão sair da empresa, todas as informações sobre os seus salários.
Há vários requisitos para os quais tem de se preparar:
O incumprimento pode resultar em sanções, pelo que é importante tomar medidas já para se preparar.
Apesar desta diretiva trazer responsabilidades acrescidas para os empregadores, a Diretiva de Transparência Salarial também traz certos benefícios:
Se a sua empresa estiver abrangida por estas disposições, há várias medidas que terá de tomar. Uma ótima forma de tornar as coisas mais fáceis é dividir este processo em ações claras.
1. Divulgar os intervalos remuneratórios aos candidatos
Os empregadores vão ter de ser mais transparentes sobre os seus salários. Isto inclui adicionar intervalos remuneratórios às ofertas de emprego ou divulgá-los antes das entrevistas.
Por exemplo: «O salário para este cargo é de 45 000 € a 50 000 €, dependendo da experiência.»
Para fazer isto de forma adequada, muitas empresas terão de definir intervalos remuneratórios mais claros e elaborar uma política salarial estruturada.
Também é necessário usar uma linguagem neutra nas descrições e títulos das ofertas de trabalho.
2. Responder a pedidos de informação salarial
Os trabalhadores têm o direito de pedir informações sobre os seus salários. Isto inclui:
Os empregadores devem responder no prazo de 60 dias por escrito.
Os empregadores devem informar os trabalhadores sobre este direito, regularmente.
3. Evitar perguntas sobre o histórico salarial
Durante o processo de contratação, os empregadores não devem perguntar aos candidatos qual era o seu salário anterior.
Isto ajuda a garantir decisões salariais mais transparentes e justas, tendo em conta o cargo em si e não ganhos anteriores.
4. Definir critérios claros para a remuneração e a progressão na carreira
Os empregadores têm de explicar como é que as decisões salarias são feitas. Isto inclui:
Os critérios devem ser claros, coerentes e basear-se em fatores como competências, experiência e nível de responsabilidade.
São permitidas diferenças salariais quando estas se baseiam em fatores objetivos, como o desempenho.
5. Preparar-se para relatórios sobre as disparidades salariais:
A partir de 7 de junho de 2027, a organizações com 150 ou mais trabalhadores passarão a ter de apresentar relatórios sobre as disparidades salariais entre homens e mulheres. A frequência dos relatórios depende da dimensão da empresa, e estes serão os primeiros relatórios obrigatórios ao abrigo da Diretiva da UE sobre a Transparência Salarial.
Os relatórios devem:
Se não conseguirem justificar uma disparidade superior a 5%, as entidades patronais terão de realizar uma avaliação conjunta dos salários e tomar medidas.
6. Tomar ações para combater as disparidades salariais
Se houver uma disparidade, os empregadores terão de combatê-la. Isto pode incluir:
Cabe ao empregador demonstrar que a remuneração é justa.
Se for comprovada uma discriminação salarial, os trabalhadores podem ter direito a uma indemnização, incluindo pagamentos retroativos.
Tal como acontece com qualquer mudança significativa, há também riscos e desafios a ter em conta:
Resistência interna
Desafio: Nem toda a gente se sentirá à vontade com uma maior transparência em matéria de remunerações. As diferenças salariais em cargos semelhantes pode gerar um certo desconforto.
Solução: Os empregadores terão de explicar como é que efetuam as suas decisões salariais. Uma comunicação clara ajuda a estabelecer uma maior confiança.
Uma maior pressão para reter talentos.
Desafio: Como a informação sobre os salários está mais acessível, os concorrentes poderão atrair os trabalhadores com ofertas mais vantajosas.
Solução: Concentrar-se na retenção através de oportunidades de desenvolvimento, percursos profissionais atrativos e trabalho flexível.
Ajuste dos salários atuais
Desafio: A revisão das estruturas salariais poderá revelar diferenças entre os novos contratados e os trabalhadores já em funções, o que poderá afetar a moral da equipa.
Solução: Realizar revisões regulares, comunicar de forma clara e, sempre que necessário, introduzir alterações por fases.
Gestão das expectativas dos trabalhadores.
Desafio: Os trabalhadores poderão fazer mais perguntas sobre a remuneração ou contestar decisões, o que poderá demorar algum tempo a resolver.
Solução: Estabelecer políticas salariais claras e formar os gestores para que conduzam as conversas de forma coerente e construtiva.
Privacidade e confidencialidade de dados
Desafio: A partilha de dados salariais deve ser tratada com cuidado, para evitar a violação das regras de privacidade.
Solução: Usar dados anónimos e definir critérios internos claros.
Há uma série de medidas que pode tomar para se preparar para a Diretiva de Transparência Salarial da UE. Tais como:
Manter-se a par dos salários, competências e das tendências do mercado de trabalho.
É importante conhecer estas mudanças para se conseguir preparar com antecedência. Tendo isto em conta, criámos uma série de recursos para ajudar as empresas, incluindo um novo eBook sobre como esta diretiva mudar o processo de recrutamento. Descubra os nossos guias fáceis e práticos e prepare-se.
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