O mundo financeiro está a alterar-se rapidamente, desde o nível de estagiário aos cargos diretivos. Os líderes financeiros têm de utilizar cada vez mais as suas capacidades interpessoais, tornando-se contadores de histórias – devem explicar o desempenho fiscal, dirigindo investimentos e identificando lucros.

De acordo com a opinião de muitos dos  CFOs que entrevistámos por todo o mundo, o que as equipas de finanças necessitam agora não são aptidões técnicas, mas sim uma capacidade interpessoal que não é muito mencionada – a curiosidade.

Como  Pürnur Üner, CFO da Ajinomoto-Örgen Gıda, explica, o seu papel tem sido alterado ao longo do tempo, evoluindo da simples gestão financeira para, nas suas palavras, “uma função de management e integradora. Durante 25%  do meu tempo estou a gerir os acionistas; noutros 25% lido com questões de  IT; dedico ainda 25% das minhas horas a colaborar com os meus colegas de liderança sénior  e os últimos 25% são dedicados à minha equipa financeira e noutras funções.”

Uma ação equilibrada

Com este reequilíbrio da função, tendo muito mais contacto com o público, o CFO moderno necessita de um conjunto de capacidades muito diferentes dos seus antecessores. Apresentar dados aos acionistas significa que não só os CFOs necessitam de ser confiantes perante audiências, como também devem conseguir auxiliar outros líderes seniores a pensar de uma forma diferente.    

Como Andrea Wesson, CFO da Eversholt Rail explica, a função já não seria adequada a uma pessoa com um perfil 100% financeiro, pois “requer também conhecimento operacional. Gosto muito de arregaçar as mangas e envolver-me. Consigo perceber perfeitamente que diferentes tipos de negócios requerem aptidões diferentes para o seu CFO,” conclui.   

Florence Rocle, VP Global Finance Services da Sodexo, acredita que esta transformação e que consequente desenvolvimento da função eram inevitáveis. “Já não estamos à espera  que os CFOs sejam contabilistas. Devem, antes, ter contabilistas na sua equipa, pois a sua função é muito mais global.”  

Trabalho transformativo em equipa

Uma dimensão importante no “novo” papel de CFO é gerir talento, sendo um líder. Os CFOs devem fazer uma auto-avaliação das suas próprias competências, pois a liderança de uma equipa em transformação requer capacidades interpessoais que eram foram procuradas previamente.

Pürnur Üner explica esta realidade como sendo uma mudança de mentalidades, um reequilíbrio de aptidões; nas suas palavras, uma redefinição de processos, uma integração de sistemas automatizados e a transformação do mundo financeiro. "Estamos à procura de novas mentalidades e diferentes competências: financeiras,  tecnológicas e de liderança, para desenvolver os líderes financeiros futuros.”

Mas qual é a razão para esta mudança na organização das equipas financeiras, além da tecnologia? O CFO deve marcar o ritmo da sua equipa, tornando-se um treinador e motivador ao mesmo tempo. Os CFOs terão cada vez mais de lidar com forças externas nas suas empresas, como alterações demográficas –  que trazem muitas vantagens mas também muitos desafios.

Trabalhar com rumo à diversidade

Em muitos países, e durante décadas, os departamentos financeiros tiveram, tradicionalmente, mais homens do que mulheres. No mundo corporativo atual, a diversidade desempenha um papel muito mais importante para a atração de talento, satisfação e retenção dos colaboradores; sendo um  facto reconhecido por todos os CFOs que entrevistámos.

Pürnur Üner constata que na Turquia esta é já uma função dominada pelas mulheres, parcialmente devido às normas culturais. Como explica, “As finanças são uma área normalmente dominada por mulheres na Turquia. Mais de metade da minha equipa é do sexo feminino. A minha Account & Finance Manager é uma mulher; o meu Budget & Planning Manager é um homem, mas pelo menos metade da equipa é feminina.    

Apenas 25% da população feminina está presente na força de trabalho na Turquia, pelo que estes 40%-50% são pouco usuais, mas refletem definitivamente a perspetiva do nosso Senior Manager relativamente à igualdade de género”, explica, sublinhado a importância do  equilíbrio e diversidade na sua equipa e concluindo que “o mais importante é ter as pessoas certas e maximizar o seu potencial.”