Como a história nos ensinou, momentos difíceis, usualmente, antecipam períodos de grande inovação e crescimento. Nos últimos 2 anos assistimos a um período de constantes mudanças, aprendizagem e evolução. A pandemia e todas as consequências que daí surgiram, aceleraram drasticamente a necessidade das empresas apostarem no desenvolvimento tecnológico e, dentro da lista das maiores preocupações dos líderes das organizações, há uma variável transversal a todas elas: a dificuldade em atrair e reter talento. 

Este fenómeno surge primeiramente pela necessidade das empresas conseguirem dar resposta à rápida evolução a que assistimos nos últimos anos e, este fenómeno acentuou um problema que já existia anteriormente: a escassez de recursos humanos qualificados. A verdade é que esta escassez surge em várias áreas, mas a área de IT sobressai perante todas as outras. Neste momento, não só em Portugal, mas na vasta maioria dos países desenvolvidos, a oferta de emprego supera em larga escala a procura, e o mercado de trabalho está cada vez mais centrado nos candidatos. Esta realidade exige das empresas um esforço cada vez maior para atender às exigências dos candidatos, exigências essas que foram também alterando como consequências das mudanças a que assistimos no mundo laboral nos últimos anos. Para além de um aumento salarial acentuado (cerca de +40% comparando com o valor remuneratório médio do ano passado), os profissionais tech valorizam cada vez mais outros benefícios, como por exemplo: o alinhamento entre os valores pessoais e a visão da empresa, oportunidades de desenvolvimento individual contínuo e a evolução na carreira, um equilíbrio mais saudável entre a vida pessoal e profissional e um ambiente inclusivo. Estes são apenas alguns exemplos de benefícios que progressivamente têm um maior impacto no valor das ofertas que as empresas propõem. Para termos uma ideia, 36% das pessoas inquiridas num estudo escolheriam o trabalho remoto em relação a um aumento salarial.

Contudo, os desafios não ficam por aqui. Centrando a nossa atenção no mercado português, percebemos que uma dificuldades cada vez mais presente é que a oferta de emprego não se limita apenas a território nacional. É muito comum encontrarmos profissionais portugueses a prestar serviços para empresas estrangeiras que oferecem pacotes salariais e de benefícios muito competitivos. Este fenómeno prejudica não só a atração de talento, mas provoca também uma taxa de retenção baixíssima. Isto significa que o investimento em talento tech é cada vez mais uma aposta arriscada, pois existe sempre uma incerteza em relação ao período de permanência destes profissionais nas empresas. Este foi talvez dos maiores insights que a pandemia nos trouxe, contudo, a adaptação da proposta de benefícios aos candidatos poderá ser uma das estratégias de atração e retenção mais eficazes no panorama do recrutamento atual. Não existe um pacote que se adapte a todos da mesma maneira e esse é mais um dos desafios que as empresas terão que resolver para que consigam ser mais competitivas com os “tubarões” estrangeiros. 

Outra alternativa a que se assiste atualmente no mundo tech, de maneira a contornar a escassez de talento, é a criação de academias que promovem a formação de profissionais em competências específicas e determinantes para os negócios das próprias empresas. Acredito que esta será uma tendência cada vez mais popular nos próximos anos e que poderá ser uma alternativa viável para superar os desafios que destaquei anteriormente.

No recrutamento de IT é imperativo que as empresas sejam ágeis na gestão dos processos de recrutamento. Processos longos e extensos, com feedback demorado ou inexistente, são vistos de forma negativa pelos candidatos e não abonam de forma alguma a favor das empresas. Os candidatos devem ser colocados no centro do negócio desde o primeiro contacto e, só dessa forma, será possível superar as dificuldades atuais ao nível da atração e retenção de talento. 

As ondas de choque da pandemia fizeram-se sentir de uma maneira intensa, mas uma possível recessão económica como consequência das vicissitudes dos últimos anos e também da guerra entre Rússia e Ucrânia, certamente que trará novos desafios e será interessante assistir à forma como as empresas continuarão a dar resposta. Certamente que a solução passará uma vez mais pela rápida adaptação e pela contínua valorização do elemento crucial do sucesso de qualquer negócio: as pessoas.

Autor: Tiago Monteiro, Consultant Michael Page Information Technology

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