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Shared Services Centres: entrevista

Tiago Henriques, Consultor Sénior da Michael Page Shared Services Centres, aborda a evolução e crescimento dos Shared Services Centres (SSC) em Portugal, analisando os motivos que tornam o nosso país uma escolha privilegiada para este tipo de projeto.

 

Como tem sido a evolução dos SSC nos últimos anos em Portugal?

Os SSC em Portugal começaram por estar particularmente localizados nas áreas centrais e periféricas da cidade de Lisboa. Inicialmente focados nas áreas de finanças, particularmente no recrutamento de posições de cariz transacional, temos vindo a assistir a uma mudança muito considerável no padrão do investidor e, por conseguinte dos perfis procurados. Em primeiro lugar, a zona norte de Portugal, com especial incidência na zona do grande Porto, cresce de forma muito substancial com a criação de polos de grande dimensão e elevada complexidade; em segundo lugar assistimos a um padrão atípico na procura, sendo requisitados perfis cada vez mais estratégicos, bem como um alargamento no scope das funções, particularmente para as áreas de IT, HR e outras funções estratégicas nas áreas de finanças.

 

Houve alguma resistência inicial por parte das empresas?

O ceticismo e as mudanças organizacionais necessárias para o sucesso destas iniciativas levaram os investidores a terem grandes resistências iniciais à criação destes centros de competências. Com o sucesso comprovado de algumas multinacionais, outros players começaram a olhar para os SSC como uma alternativa viável, não só no que diz respeito à otimização de custos, mas também com o objetivo de standartizar processos a nível global. A tendência tem sido a do alargamento constante dos serviços prestados em Portugal com o objetivo de rentabilizar da forma mais eficaz possível os recursos e know how existentes no nosso país.

 

Quais são as características que tornam Portugal um país tão atrativo para este tipo de projeto?

Portugal cresce de forma significativa nesta área por diferentes motivos. Diria que os savings  a nível financeiro são o principal vetor que leva à escolha de Portugal em detrimento de outras geografias mas na verdade existem outros países com políticas salariais marginalmente mais baixas. Penso que as multinacionais que nos escolhem o fazem porque a relação custo-benefício de contratar profissionais em Portugal apresenta rácios excecionais: os portugueses são reconhecidamente bem formados, muito bem considerados pela sua entrega aos projetos em que se envolvem, assim como pela qualidade do trabalho que desenvolvem, dominam idiomas com grande representatividade a nível global, sendo muito evoluídos no que diz respeito à cultura de trabalho e rigor de execução. Adicionalmente a nossa posição geográfica é um plus, a par da qualidade de vida que um país como o nosso pode providenciar, não só aos locais, mas também a profissionais oriundos de outras geografias que cada vez mais nos procuram para trabalhar e residir. Em termos lógicos um país como Portugal poderá ter um potencial de crescimento sem precedentes no setor dos SSC com um equilíbrio muito mais interessante no que diz respeito à equação oferta-procura, essencialmente quando nos comparamos com outras geografias.

 

Existem geografias diretamente concorrentes de Portugal?

Depende do que o investidor procura. Existirão geografias como a Polónia que apresenta níveis de maturidade maiores, todavia a guerra por talento é feroz, o que não se verifica em Portugal (e penso que teremos sempre uma realidade diferente). Diria que para um investidor que procure uma transição parcimoniosa, qualidade extrema nos serviços prestados, eficiência e capacidade de adaptação e evolução dos seus recursos humanos, não teremos grande concorrência. Se o objetivo do investidor é apenas o custo, poderemos não ser a primeira escolha mas se analisarmos a história constatamos que empresas que se focaram apenas na minimização de custos tiveram, a médio prazo e em grande parte dos casos, de realocar alguns dos seus serviços noutros países, nomeadamente em Portugal.

 

Embora a níveis diferentes, podemos falar em países como a Polónia ou a India mas também em forças emergentes como Espanha. As comparações são difíceis e estão muito indexadas ao que os investidores procuram. A tendência é a de Portugal prestar serviços de qualidade superior não descurando, como é obvio, a elevada rentabilidade dos seus centros e recursos. De futuro e com a evolução das tendências, estou certo de que Portugal será a principal geografia a ser considerada na criação de novas estruturas, particularmente com uma abrangência global.

 

Quais são os perfis mais procurados para integrarem projetos de SSC?

Os perfis que dominam idiomas como Alemão, Flamengo ou Francês são normalmente os mais exigentes no que diz respeito ao processo de identificação, todavia assistimos a um comportamento interessante relativamente a este tipo de perfis pois, cada vez mais, são os candidatos que, ainda nos seus países de origem nos procuram para projetos em Portugal. Os perfis tecnológicos e os financeiros (transacionais ou não) estão entre as funções mais procuradas pelos nossos parceiros.

 

Que tipos de projetos são mais frequentes?

As experiências que temos na criação de SSC em Portugal dependem muito da maturidade dos projetos dos nossos clientes. Podemos reportar a pesquisa de perfis muito específicos para posições estratégicas, ou dar exemplos de SSC que criámos de raiz em Portugal, alguns dos quais com consultores alocados aos nossos clientes. A nossa organização está sempre disponível para apoiar da melhor forma possível os investidores, particularmente na fase inicial das suas operações em Portugal onde podemos aportar valor não só ao nível da identificação dos melhores profissionais, mas também no que diz respeito ao auxílio em questões técnicas, legais, salariais, culturais, entre muitas outras.